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Correria, queridos leitores... correria danada, sumi semana passada, mas estou de volta aqui, como deveria ser todas as quartas-feiras! E já chego com novidades para vocês, tão ávidos por um desafio.

Pois bem. O desafio que eu trago para vocês hoje é o 5º Concurso Universitário CNN. Se você, como eu, nunca nem ouviu falar desse concurso, lhe explico: a CNN, rede internacional de notícias, criou este concurso para dar uma oportunidade aos estudantes de jornalismo de mostrarem o seu talento diante das câmeras. Cada ano com um tema diferente, o estudante deve elaborar uma matéria em vídeo de dois minutos. Acha pouco? A título de comparação, semana passada, na faculdade, criamos uma matéria de no máximo 45 segundos, sobre o terremoto na Itália há um mês. Dois minutos é um bom tempo para uma matéria de um estudante de jornalismo.

O tema do concurso deste ano é "O uso da tecnologia no desenvolvimento social". Parece dificílimo de tratar, mas não é tanto assim. Lembram do artigo sobre a TV Muro? Aquela é uma tecnologia [local, mas é] que, se bem trabalhada, pode estimular os jovens do bairro, ensiná-los a trabalhar com televisão e quem sabe desenvolver uma profissão nova.

E se você também está pensando "ai, Ana, que coisa chata, vou me dar esse trabalho todo de fazer um vídeo sobre a tecnologia e o desenvolvimento social para que, só pela glória do momento?". Bom, não sei você, mas a glória do meu nome aparecendo em qualquer coisa relacionado à CNN pra mim, já seria o suficiente. Mas eu morri mesmo quando soube que o prêmio ao primeiro colocado envolve a exibição do seu material na CNN. Repito, talvez você não tenha lido direito. O prêmio ao primeiro colocado envolve a exibição do seu material pela CNN.

Ainda acha pouco? Vocês andam muito exigentes. Tudo bem, e que tal uma viagem para conhecer os estúdios da CNN International? Como é? Repito de novo, beleza: uma viagem para conhecer os estúdios da CNN International... nos Estados Unidos!

Animou, não é mesmo? Então não perca seu tempo, caro leitor! Lembrando que o concurso vale apenas para estudantes de jornalismo, ou seja, não adianta você ser formado em jornalismo, você ter sonhado com jornalismo, você gostar muito de jornalismo. Se você não é um estudante de jornalismo devidamente matriculado, então esquece, fica pra próxima. Mas se você é estudante de jornalismo e ficou todo ouriçadinho com a ideia [assim como eu], clique aqui e faça a sua inscrição. Você tem até o dia 29 de junho de 2009 para isso.

As matérias devem ser enviadas pelo YouTube, e serão julgadas por gente de pouco calibre, sabe, gente tipo Heródoto Barbeiro, Marcelo Tas e Lúcia Araújo.

Dúvidas? Clique aqui. Mais dúvidas ou sugestões? Clique aqui.

É chegado o momento

Dia 01 de abril próximo será um dia importante para o jornalismo brasileiro. Estudantes, profissionais e toda a sociedade devem estar atentos, pois o STF [Supremo Tribunal Federal] terá em sua pauta neste dia dois assuntos de suma importância: o julgamento da ação que pede a revogação da Lei da Imprensa e também da ação do Ministério Público Federal, que pede o fim da obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo.

A Lei da Imprensa data de 1967 [para quem não se recorda, ou não era nascido na época, a Lei foi instituída em plena ditadura militar] e foi criada para regular a liberdade de manifestação do pensamento e de informação. O PDT [Partido Democrático Trabalhista], autor da ação pelo fim da Lei da Imprensa, afirma que a lei viola vários preceitos constitucionais, e deve ser totalmente revogada.

A obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo é um tema que levanta discussões calorosas. A favor ou contra, os argumentos são completamente válidos, e eu mesma, que tinha uma opinião mais ou menos formada a respeito do assunto, não sei dizer se eu sou pela obrigatoriedade ou não. O certo é que, desde novembro de 2006, a obrigatoriedade do diploma está suspensa, e profissionais que já atuavam na área mas não possuem diploma podem exercer livremente o jornalismo.

Eu ainda acredito que as duas questões não serão resolvidas rapidamente, ainda mais sendo as duas marcadas para esta data tão... sugestiva! Mas não custa nada esperar pra ver, e no decorrer desses dias vou tentar postar algumas coisas sobre a Lei da Imprensa e o maledeto diploma. Fiquem atentos, e podem me cobrar!

Aqui neste blog já falamos sobre como atrair mais jovens à leitura. Uma das ideias era fazer com que o jornal fosse mais dinâmico, menos sisudo, sem perder a seriedade que, afinal, é o que leva qualquer veículo a uma credibilidade crescente. Mas seriedade não é sinônimo de chatice, e vez por outra o jornalismo nos delicia com ideias incrivelmente simples, porém originais e que podem trazer mais leitores para suas páginas.


Encontrei hoje no blog do Sakamoto a história do João Buracão. João nasceu no Rio de Janeiro, fruto da revolta de um morador de Marechal Hermes, que vinha reclamando há tempos para a prefeitura sobre um buraco em sua rua. Não aguentando mais o descaso da prefeitura na resolução do problema, este morador criou o boneco João Buracão. Quando da cobertura do fato, o Jornal Extra resolveu abraçar a ideia do boneco e, desde então, João Buracão tem feito denúncias dos problemas semelhantes enfrentados pelos cidadãos cariocas em toda a cidade.

O boneco já foi recebido inclusive pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e, como muitos jornalistas investigativos, João chegou a ser agredido por homens acompanhados do irmão da prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset. Tudo isso acaba aumento a visibilidade de João Buracão, que hoje conta com blog exclusivo, onde são divulgadas algumas fotos e reportagens de João.

Uma forma diferente de fazer jornalismo, que não ofende e ainda faz com que os cidadãos interajam com o jornal. E coloca os governantes em maus lençóis, afinal, o leitor passa a acompanhar com mais regularidade as denúncias do boneco João Buracão.

Fica a dica dos nossos colegas cariocas.

Depois de muita indecisão, muitas noites mal-dormidas, muitos conselhos e muito desespero, você resolveu, finalmente, que vai partir para o jornalismo. Os motivos podem ser muitos, desde um simples "eu me identifico" até um talvez ambicioso demais "quero ser o próximo William Bonner". Seja qual for o seu motivo, agora que você decidiu e está aqui dentro, preciso te contar um segredo. Que já não é tão segredo assim, mas talvez você não seja daquelas pessoas que acompanham jornais e revistas, e bebem de uma única fonte de informação: a internet. É por causa dessa menina que muitos dizem que o jornalismo impresso, se ainda não morreu, está em vias de.

É certo dizer isso? O que a gente sabe é que com o advento da atual crise econômica, alguns grandes jornais nos EUA já desligaram suas prensas. Aqui no Brasil, o lendário Tribuna da Imprensa, agora só conta com a versão online.

Então é verdade, o jornal impresso está morrendo?

Não, o jornal impresso não está morrendo. Dizer isso seria o mesmo que dizer que o livro está morrendo, que a televisão irá morrer, que o rádio "já era". Não podemos prever desta forma, e apenas analisando o crescimento das agências de notícias virtuais, dos blogs jornalísticos e das versões online de grandes jornais e revistas. Pode ser que um dia o jornal impresso acabe. Mas isso não será de imediato, e acredito que faltam muitos e muitos anos para que isso aconteça. Acredito também que até lá, novas idéias para o jornal impresso terão surgido, novas oportunidades para quem entra nesse mercado de trabalho vão aparecer.

Nós, que estamos tentando entrar no jornalismo agora: não entremos com as velhas idéias, as velhas notícias, o velho jeito de fazer notícia. Nós devemos ser a mudança que queremos ver nesse mundo, lembram? Então se o seu medo é de que o jornalismo impresso esteja no fim, você deve já entrar na roda trazendo alguma idéia, algum jeito diferente de fazer jornal, que faça com que ele não acabe, apenas mude.

O ombudsman da Folha de S. Paulo levantou um tema interessante há algumas semanas: como atrair o público jovem para a leitura do jornal? Esse não é um tema irrelevante: um jornal se faz pelos seus leitores. Se o público jovem de hoje não se interessar pelo jornal, amanhã não vai existir mais um porquê para o jornal impresso. É claro que a notícia online tem uma vantagem para esse público jovem: ela é mais rápida, mais atual, mais dinâmica. Como atrair, então, esse leitor jovem, dinâmico e atualizado para o meio impresso?

Esse seria o primeiro jeito, ao meu ver, de fazer com que o meio impresso não se finde de repente: atrair mais leitores, tornar a leitura do jornal um prazer, para adolescentes, jovens e adultos. Fazer com que isso passe de geração a geração, como foi feito aqui em casa.

Caminho um tanto complicado, considerando que já ouvi de muito estudante de jornalismo que "não leio jornal porque é difícil", ou "não leio jornal porque suja meus dedos" [sim, eu já ouvi isso]. Mas acredito que está muito mais nas mãos dos futuros jornalistas, dos que estão chegando a esse mercado agora, do que aqueles que conhecem um único jeito de se fazer jornalismo, uma única forma de imprimir jornal. Existe uma frase, que há muitos anos um grande amigo meu vivia me dizendo, e que acho que cabe para o nosso jeito de fazer jornal:

"Se você faz o que sempre fez... conseguirá o que sempre conseguiu!"

UPDATE: Na tarde de hoje eu li esta notícia no Observatório do Direito à Comunicação. É uma esperança? Uma vitória do jornalismo combativo? Não sei... mas é um sinal de esperança para todos nós. Viu? Os caminhos se abrem, de uma forma ou de outra.

Acho que ainda não comecei a recomendar livros aqui neste blog. Que vergonha! Um blogue jornalístico teria que, por bom senso, indicar aos jovens leitores que ainda não têm certeza da profissão que pretendem, algum livro que possa ajudá-los a se decidir. Como minha amiga e colega de martírio Sirlene já adiantou em post passado, o jornalista e atualmente blogueiro Ricardo Noblat tem um livro muito recomendável para quem ainda tem dúvidas, e para quem tem todas as certezas: O que é ser jornalista.

O livro foi escrito pelo próprio Noblat para compor a série "O que é ser", da Editora Record. Eu particularmente nunca tinha ouvido falar do livro, foi Sirlene quem falou e emprestou o livro. Posso falar? Gostei muito, de saber algumas das histórias do homem [que, independente de você concordar ou não com a visão política dele, é um homem que viu muita coisa acontecer no país]. Ele é bem realista, mostra no livro as dores e delícias de quem escolhe o jornalismo. Mais do que uma profissão, um estilo de vida.

Gostei do que ele diz no livro a respeito da imparcialidade do jornalista. Escolhi esse trecho do livro para compartilhar com vocês [grifos meus]:

"É raro o jornalista que não derrapa com frequência na lei mais difícil de ser respeitada - a que o obriga a se manter neutro diante de qualquer situação. Há jornais norte-americanos que proíbem seus jornalistas de serem sócios de clubes e de investirem na Bolsa de Valores acima de determinada quantia. E se um dia estoura um escândalo no clube do qual o jornalista é sócio? Ele terá isenção para investigá-lo? Como explicar que um jornalista da área de economia ganhe muito dinheiro na Bolsa sem ter-se beneficiado de informações privilegiadas?
As exigências de jornais norteamericanos fazem sentido e sempre farão. Mas servem, no fim, para disfarçar o fato de que não há imprensa mais hipócrita do que a norteamericana. Porque ela se apresenta ao mundo como modelo de independência editorial a ser adotado onde quer que se cultivem os valores da democracia ao estilo ocidental. E, no entanto, serve em primeiro lugar não à sociedade, mas aos interesses dos grupos políticos e econômicos que ditam o destino dos Estados Unidos - e, por extensão, dos países que gravitam em sua órbita, ou seja, quase todos.
[...]
A neutralidade do jornalista diante de um fato é uma utopia a ser perseguida sem descanso, assim como a utopia de um mundo mais igualitário. Mas como ser neutro diante de atos de flagrante injustiça, por exemplo? Em meados de 2002, vi na porta de um shopping em Brasília um rapaz de pouco mais de 20 anos espancar um homem idoso porque ele entrou em um carro na companhia de uma moça loura. O rapaz pensou que a moça fosse sua namorada. Na época, eu dirigia a redação do Correio Braziliense. Publiquei a notícia sob o título "O Selvagem do Shopping".
A notícia limitou-se a contar o que testemunhei e a registrar o que disseram depois os personagens do episódio. Ocorre que, se eu tivesse respeitado a lei da neutralidade na hora de fazer o título, não poderia ter chamado de "selvagem" o jovem espancador. Um título neutro ficaria assim: "Jovem Espanca Velho na Saída do Shopping". Mas um título assim chamaria de fato a atenção dos leitores para o caráter bárbaro e gratuito do ato de agressão? Se o jovem agiu como um selvagem, por que não adjetivar de selvagem seu modo de agir?
[...]
Às favas todos os escrúpulos quando honestamente apuro fatos e quando tais fatos avalizam determinadas conclusões! Como jornalista, tenho obrigação de apresentá-los ao público - não de escamoteá-los ou distorcê-los a pretexto de ser isento e objetivo. O público que julgue meu trabalho. Ele pode me censurar com sua repulsa ou me premiar com seu respeito e assentimento. Se não serve para esclarecer, alertar, forjar consciências e contribuir para a construção de um mundo menos injusto e desigual, para que serve mesmo o jornalismo?"
[trecho do livro "O Que É Ser Jornalista", de Ricardo Noblat, editora Record, 2006, 3ª edição, páginas 38-41]

Claro que tem muitas coisas que Noblat fala no livro com as quais eu concordo, ou deixo de concordar. Eu gostaria de ter tido a oportunidade de acompanhar a carreira dele dentro do Correio Braziliense. Mas, à época, ainda não havia descoberto minha paixão pelo jornalismo. Ou pelas biografias.

É um livro gostoso de ler, com uma linguagem simples, direta e leve. Recomendável não apenas para quem acha que quer fazer jornalismo, mas sim para qualquer pessoa que se interesse pelos bastidores do jornalismo, e, consequentemente, pelos bastidores do poder. Noblat consegue neste livro, fazer o que ele sempre quis fazer:

"Tudo o que eu queria era escrever como se conversasse com um amigo calma e displicentemente, se possível deitado numa rede, olhando o mar de Porto de Galinhas... Aí, sim, talvez viesse a gostar do que escrevo. E, por gostar, entendesse por que insisto em uma tarefa que tanto me martiriza."
[página 88]

Faço minhas as palavras dele.

Na minha atual condição, e mesmo antes de eu resolver entrar nesse submundo do jornalismo, sempre tive muita curiosidade de saber quem decide o que vai ser manchete nos grandes jornais. De fato, não gostaria de saber apenas quem define as grandes manchetes, mas O QUE é considerado prioridade, o que faz com que o editor responsável aponte seu dedo magnânimo e diga: essa notícia VAI VIRAR manchete.

Bom, a manchete é o que vai chamar a atenção do leitor para determinado jornal. Jornais populares, vendidos a baixos preços para chamar mesmo um leitor de classe C e D, por exemplo, usa manchetes mais populares, por assim dizer. Vai falar sobre aumento de salário [que é o que interessa ao povão], vai falar sobre tragédias, vai falar sobre algum novo programa de ajuda do governo, sobre o aumento ou a diminuição do desemprego, sempre numa linguagem simples, menos rebuscada.

Daí você pega um jornal grande, como a Folha de S. Paulo, que é voltado ao leitor de classe A e B. Logo, esse jornal vai atender aos interesses dessa classe. Sem fazer juízo de valor, mas é só juntar as peças. Jornal é um produto, como um produto ele deve interessar a alguém. Certo?

Como se forma a opinião do leitor, foi o que vimos na escolha da manchete de hoje da Folha. Quem acessou os grandes portais, ou ouviu rádio, ou estava presente neste país anteontem, viu que saiu o resultado de mais uma pesquisa de opinião sobre o governo Lula. Resultado da pesquisa: impressionantes 84% dos entrevistados avaliam o desempenho de nosso presidente como positiva, a despeito de toda a crise econômica e a onda de desempregos. E tem mais: 72,5% dos entrevistados consideram o governo em geral como bom ou ótimo.

É impressionante, não é? Em um momento em que o mundo atravessa uma crise, as pessoas perdem seus empregos aos milhares, e, para o Brasil, um detalhe muito importante: essa pesquisa se deu um mês depois do governo ter anunciado que perto de 655 mil vagas de empregos foram fechadas. E ainda assim as pessoas avaliaram o governo e o nosso presidente de forma positiva. Você não se espanta? Eu me espanto.

Aí, isso deveria ser manchete? Talvez. Depende se você dirige um jornal governista, depende da ênfase que você pretende dar a esta crise econômica. Depende, principalmente, do tipo de leitor que você tem e de qual notícia você prefere que ele preste mais atenção. Porque a manchete da Folha de S. Paulo de 04/02/2009 trazia justamente o contrário desse positivismo todo: "Indústria tem maior queda desde 91".

Opa, cadê o positivismo? Cadê o oba-oba dessa nova pesquisa? Se a indústria não produz, não gera emprego. Ou seja, mais e mais pessoas serão demitidas. E por que a população de um país onde sua indústria sofre uma queda como não se via há 17 anos, ainda avalia seu governo como bom ou ótimo?

Acho que foi essa a idéia que passou pela cabeça do editor da Folha, até mesmo porque, o editorial do mesmo dia trouxe esse mesmo assunto. E viu ali na imagem, o destaque que foi dado à popularidade do presidente Lula? Viu ali o detalhe forte "apesar da crise"?

Novamente, lembro a vocês: sem fazer juízo de valor. Eu leio a Folha todos os dias, porque eu ainda confio na credibilidade de seus jornalistas. Se eu concordo ou não com a linha editorial deles, é outra história. Mas é algo a se pensar, e se analisar, como são escolhidas essas manchetes, como a nossa opinião e a nossa atenção começa a ser formulada pelo jornal desde esses pequenos detalhes. Tudo conta: as fotos, a manchete, a disposição do texto, absolutamente tudo.

Você, ao ver essa manchete, ainda acredita que o positivismo de nosso presidente tem embasamento?

* O título do post foi slogan de uma das revistas que marcaram época no jornalismo brasileiro, revista Manchete, da editora Bloch. Meu presente de aniversário de mim para mim mesma será o livro Os Irmãos Karamabloch, que consta a história da família Bloch e de como eles se tornaram um império na comunicação brasileira. Depois eu digo se eu recomendo ou não. O slogan original era "Aconteceu, virou Manchete".

[o post foi escrito em 04/02/2009]

Juventude Transviada

O Ombudsman da Folha de S. Paulo hoje falou sobre um tema muito agradável aos meus, aos seus e aos nossos olhos: como atrair os jovens para o jornal. Bom. Eu me considero jovem, certo, afinal, 25 anos não é nem a metade de uma vida bem vivida. Desde que me entendo por gente, eu leio revistas e jornais. Claro que depois que eu decidi que jornalismo seria minha carreira, a leitura de um jornal diário se tornou praticamente [eu disse PRATICAMENTE] obrigatória, e como eu não estava tendo mais tempo de entrar na internet para ler as notícias, resolvi assinar um jornal. Confesso que tem dias que, da mesma forma como ele é jogado no meu portão, assim permanece até o dia seguinte, quando a culpa me consome e eu resolvo pegar o jornal do dia e devorá-lo. Bom, as notícias que me interessam, pelo menos.

De qualquer forma, eu fui atraída para o jornal não apenas pela minha profissão. Mas também porque sempre achei importante ler, sempre achei importante saber O MÍNIMO do que acontece no mundo, e considerando que nunca fui grande fã do telejornal, prefiro realmente abrir o jornal e ficar uma meia hora ruminando notícias, do que ficar sentada na frente da tevê olhando pra cara do William Bonner. Bom... se tivesse no mudo, ainda vá, mas isso não é assunto para este blogue.

Agora, quando eu li o que o ombudsman da Folha diz, sobre atrair os jovens para o jornal, é algo que eu efetivamente não sei dizer para ninguém como fazer. Percebam vocês o tipo de jovens que temos no mundo hoje em dia: os que têm acesso à internet, vão procurar notícias [ha, ha, ha] na internet. Os que tem a televisão, bom, vão assistir televisão, e provavelmente, assim como eu, não vão querer assistir telejornal, e sim, Caminho das Índias, ou BBB. Fora que, percebam, jornal está caro. Tá, eu assino a Folha, e sei que tá caro. Mesmo para assinante, que ainda pega com desconto, comparando com o preço de banca. Ainda que existam jornais mais baratos.

Eu acredito, numa opinião pessoalmente pessoal e totalmente minha, que o jovem não lê jornal por um motivo absolutamente simples, e que aí isenta o jornal de qualquer culpa: ele não gosta de ler. Simples assim. Como é que você quer chamar a atenção de alguém que, a priori, já não gosta do seu produto? Antes de se perguntar como fazer para atrair mais jovens, o jornal deveria pensar: como posso fazer para que os jovens apreciem mais a leitura? E aí sim, entrar com programas de leitura em escolas públicas é uma idéia, criar suplementos especialmente voltados para os jovens [como é o caso do FolhaTeen], com mais conteúdos. O FolhaTeen por exemplo, é bem legal, traz sempre matérias que interessam aos jovens, mas... é muito curto. Além de sua periodicidade [uma vez por semana] deixar uma janela muito grande de falta de conteúdo para o jovem. Precisa atrair os jovens aos poucos para o jornal, mas não TÃO aos poucos.

O que eu acho que seria uma idéia legal é, dentro do suplemento o jornal ter links [exato, como se fosse internet mesmo] para outros cadernos, como o Cotidiano, ou Dinheiro, ou Esporte. Fazer o cara se interessar por algo além daquele pequeno suplemento semanal. Instigar a curiosidade, criando uma matéria que fosse ter sua continuação num caderno de domingo, como o Mais!. Enfim, uma idéia. Que talvez eu até mande pro ombudsman [isso se alguém não roubar daqui antes, né... ¬¬]

Enfim. Como vocês aí, jovens leitores, leitores, ou senhores leitores, pensam que poderíamos atrair mais jovens para o jornal?

Gaza é aqui

Muita coisa acontecendo essa semana, as férias que eram para ter começado na segunda feira foram canceladas, e por isso vocês não viram mais minha cara neste blogue. Mas tudo bem, porque vocês também não viram a cara da Sirlene nem da Karina, autoras também deste humilde blogue.

Sem mais delongas. O assunto da vez, aliás, UM dos assuntos da vez, perdido no eio de assuntos tão relevantes quanto o fim da novela ou o começo do BBB, é a guerra na Faixa de Gaza. Claro, violência sempre gerou ibope, não é de hoje. Pão e circo, essa história é antiga. Mas a história da violência em Gaza tem aquele particular que a imprensa adora discutir, que é a censura que o governo de Israel impôs. A cobertura se torna praticamente impossível, e é claro, jornalistas engajados [ou muito bem remunerados] ainda arriscam suas próprias vidas para tentar trazer um mínimo de informação [ou o máximo que conseguem] para o outro lado do mundo.

Mas... e sempre tem um mas... a guerra não está assim tão longe. Está logo aqui do lado.

Cobrir o estado de sítio que a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, vive, também não é nada fácil. Poucos se arriscam. Os que se arriscam, correm o risco de acabar virando a notícia, como foi o caso do Tim Lopes. Falar a respeito da violência nos interiores do país, onde fazendeiros-coronéis são verdadeiros ditadores locais, que dizem o que a população pode ou não fazer, também não é fácil. Talvez porque não seja do interesse das pessoas. Talvez porque não seja do interesse dos grandes grupos de comunicação. Talvez porque cada guerra tenha um interesse guardado, e essas guerras interiores que vivemos no Brasil não tenha interesse para ninguém mesmo.

Pensei nisso ao ler este texto no blog do Noblat. Pensei nisso ao ver a violência diária à qual somos expostoso o tempo todo, e fazemos como se não fosse conosco. Pensei nisso ao ver o quanto essa história toda de guerra me cansa, como se fosse apenas mais um capítulo da novela. Não é, é a vida de verdade, acontecendo, pessoas morrendo porque seus respectivos governos não ligam para elas, ligam para o lucro. É isso. Guerra é por lucro. Sempre alguém sai lucrando. E isso é o triste.

Até quem comunica a guerra sai lucrando. E acho isso mais triste ainda.

Leia o texto recomendado de hoje. Vale a pena.

Não poderia deixar de falar aqui a respeito da tragédia que se abateu sobre Santa Catarina. Muitas cidades debaixo d'água, as pessoas perdendo o muito ou pouco que conquistaram durante a vida, você aí, caro leitor, consegue imaginar o que é ter apenas a roupa do corpo de bem material? Consegue imaginar o que é perder seus amigos e familiares, porque você não conseguiu ajudá-los, assistir de mãos praticamente atadas ao fim de tudo o que você conheceu em sua vida? Pois acho que é mais ou menos assim que a pessoa se sente quando vê sua casa, seu lar, sua vida, ser engolida pelas águas.

De qualquer forma, todos nós sentimos um certo nó na garganta ao pensar nisso tudo. Mas as pessoas precisam saber do que anda acontecendo, mesmo que sejam notícias trágicas. E como deve se comportar um jornalista, quando a pauta a ser coberta é uma tragédia dessa proporção? Estaríamos nós preparados a tentar vivenciar isso tudo, de um ângulo bem mais confortável e não podendo fazer muita coisa a respeito?

O portal Comunique-se divulgou uma notícia a esse respeito, e eu fiquei sim a refletir, como devemos nos comportar em uma cobertura jornalística, num momento em que as pessoas estão sofrendo? Devemos ser totalmente imparciais e ignorar a dor alheia? É possível ignorar a dor por um furo de reportagem? O que se passa na cabeça de um repórter num momento desses?

E a questão que não quer calar: aonde a questão da ética [seja pessoal, seja profissional] começa a ser ferida num momento desses? Porque fato é que muitos jornalistas aproveitam-se da dor alheia para gerar audiência [vide caso do seqüestro de Santo André]. Como separar o jornalismo de fato, do jornalismo sensacionalista [sim, é incrível, mas ainda tem muito jornalista que pensa mais na audiência, na grana entrando no bolso, do que no bem estar do próximo. Aliás, corrigindo: isso não é falha apenas de jornalista].

No final da matéria, o jornalista que está em SC ainda fala de algo que nós vemos muito por aí: a fatídica pergunta do "tudo bem?" ou "como você se sente nesse momento?". Não, não está tudo bem. Não dá pra sentir muita coisa nesse momento. O que dá pra sentir no momento é verdadeira repulsa por pessoas que só querem saber da glória e do poder, e estão simplesmente ignorando por completo o fato de que, a pauta do momento, são seres humanos que só tem agora a si mesmo e sua vontade de começar de novo.

Pó de Quésti!

Ai gente!

Não posso deixar de esconder minha emoção com esse post aqui! Claaaaaaro, ainda não é o que esperávamos, a experiência nós vamos adquirir com o tempo. Claro que ainda podemos discutir e aprender mais a respeito, e principalmente PESQUISAR mais a respeito, porque durante a criação desse nosso PRIMEIRÍSSIMO podcast, nós percebemos que tem muita coisa ainda pra gente pesquisar, e estudar e pensar.

Claro que vocês, assim como nós, vão rir um pouco, e pensar muito. [os bastidores da gravação desse podcast estarão disponíveis para download também em breve, apesar da Sixxx querer me matar!]

Mas o principal, que era verbalizar nossas idéias a respeito da questão da regulamentação do jornalismo, nós conseguimos.

Com vocês, um pouco mais de nós, no nosso primeiro podcast:

[e mais novidades e idéias em breve, aguardem!]

Acabei de ler uma notícia no Observatório da Imprensa [site já amplamente recomendado por esta que vos digita para todos que pretendem, ou sonham, ou imaginam seguir a carreira de jornalismo: vale a pena conferir] que, inicialmente, me chocou, depois me revoltou e por fim, me inspirou a escrever este post*.

A notícia: mais de 150 jornalistas no Sudão fizeram greve de fome nesta terça-feira, dia 04/11, protestando contra a censura prévia que o governo faz às escondidas. A constituição do Sudão garante a liberdade de imprensa, porém, nós brasileiros também sabemos muito bem como funciona essas coisas da Constituição: estar lá não garante que será cumprido.

Aí você pensa: Sudão? Onde fica o Sudão? Sudão é longe! Tem nada a ver com a gente. Mas é justamente nisso que você se engana. O Sudão está bem longe da gente, sim, mas a história da imprensa e a luta pela sua liberdade não estão tão distantes de nós. Não faz trinta anos e nós aqui no Brasil também lutávamos por uma imprensa livre. E a lut pela liberdade da imprensa não deve ser empreendida apenas por um ou outro jornalista, ou por um ou outro país. É uma luta que deve ser de todos.

Por que mesmo precisamos de uma imprensa livre das amarras do governo? Oras! Porque sem essas amarras a coisa já anda bem complicada, imagina tendo jornais, revistas, televisões e rádios apenas mostrando o lado bom da coisa? Apenas criando uma fantasia? Não seriam jornais e revistas e rádios e televisões, seriam clássicos de literatura, onde na maioria das vezes o bem prevalece. Precisamos de uma imprensa livre porque somos livres e temos o direito de ter variadas fontes de informação, com variadas opiniões.

[Talvez eu esteja falando um pouco do jornalismo utópico. Sonhar é preciso, viver não é preciso.]

Mas eu admiro esses jornalistas sudaneses que fizeram greve de fome para defender uma ideologia. Admiro porque eu mesma não sei até onde seria capaz de ir para defender minha profissão, meus ideais, aquilo no que acredito. Até onde você seria capaz de ir?

* um blog jornalístico ficar tantos dias sem atualização é uma heresia. Pedimos perdão aos leitores. Tentaremos não repetir essa desfeita!

Você, estudante de Jornalismo, está por dentro das últimas novidades com relação à sua carreira? Está sabendo pelo menos, da possível regulamentação de sua futura profissão? Está sabendo que em breve, você pode ser obrigado a ter o diploma universitário, se quiser realmente exercer a profissão? Não está sabendo? Pena. Deveria.

O portal Comunique-se divulgou essa semana o resultado de uma pesquisa feita com 2.232 pessoas cadastradas no portal [entre estudantes, professores e profissionais da área]. Talvez você se assuste, talvez ache normal, mas 73,9% desses pesquisados são a favor da obrigatoriedade do diploma universitário, sim. E digo mais: 68,4% do total de pesquisados acreditam ser necessário também a criação de um órgão como a OAB, no caso para os jornalistas.

Os dados apresentados pela pesquisa confirmam uma tendência já apresentada antes pela própria FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas], em pesquisa realizada em setembro com 2.000 pessoas. No caso da FENAJ, a pesquisa foi feita com pessoas de toda a sociedade, independente de ser do meio jornalístico ou não. O resultado foi bem parecido com o do portal Comunique-se: 74,3% se mostraram favoráveis à obrigatoriedade do diploma, e 74,8% apóiam a criação de um Conselho Federal de Jornalismo.

O Ministério do Trabalho também aponta com a possibilidade de criar um grupo de estudos para discutir a regulamentação da carreira. A discussão está ficando quente, e sim, os futuros jornalistas também precisam participar dela.

Você é a favor da obrigatoriedade do diploma? É contra? Sabe quais serão as conseqüências se o diploma deixar de ser obrigatório? Se isso será bom ou ruim para você e principalmente, para a sociedade? Sabe se é realmente necessário ter o diploma universitário?

Não vegete nesse momento na frente da tela, se preocupando com quantos amigos você tem no orkut ou quem está online no MSN. Pesquise, se informe, e opine!

Access Denied

Estudantes de jornalismo do mundo [ou pelo menos da minha universidade]: uni-vos! Nos laboratórios, ao tentar acessar o conteúdo do Observatório da Imprensa, qual não foi minha surpresa ao ver que o acesso a este portal, daqui dos laboratórios, era proibido.

Censura? Não acredito que seja isso. Acredito que seja algum erro do servidor da universidade que, ao identificar alguma palavra estranha no conteúdo que eu tentava acessar, logo acatou como sendo conteúdo não-educativo. Ou educativo demais? Muitas dúvidas me pairam agora.

Muito mais perigoso seria eu acessar o blogger.com, qualquer blog que eu queira acessar pode ter conteúdo muito menos educativo do que poderia quiçá ser encontrado no OI. Acredito que tenha sido um erro mesmo. Mas de qualquer forma, fica aqui o meu manifesto. Como esse blog será [acredito eu] objeto de avaliação de aprendizagem deste semestre, espero que alguém me ajude a mudar isso. Como futura jornalista, acho que eu tenho não só o direito, mas o dever de ter acesso a toda e qualquer fonte de informação, inclusive através dos computadores da universidade que, de mais a mais, eu pago em dia!

¬¬

E o emprego, cadê?

A maior frustração para o estudante de comunicação social [na verdade, acho que para o estudante de qualquer área] é pensar pelo seguinte ponto de vista: passo quatro ou mais anos na faculdade, fora as várias horas de palestra, fora os cursos de especialização, fora os projetos elaborados, e aí? Quem vai me empregar depois disso tudo?

Mercado de trabalho, sabe o que é isso? É um produto criado pelo capitalismo, lei da oferta e da procura, honey: quem tem a grana e o poder procura o seu serviço. Mas só contrata o seu serviço se você for qualificado para tal.

E como qualificamos um jornalista? Como qualificamos o cara que vai redigir uma notícia, o cara que vai apresentar uma notícia, o cara que vai revisar um texto, o cara que vai criar um editorial, o cara que vai pesquisar determinado assunto e criar uma reportagem sobre? A faculdade está apta para isso? SÓ a faculdade está apta para isso?

O estudante de jornalismo Greg Linch, da Universidade de Miami, tem algumas dicas pra você, que está começando agora, ou até mesmo pra você, que já está se lançando no mercado de trabalho e ainda não sabe muito bem por onde começar:

1. Abuse e use da internet - não somente do orkut, do MSN ou do seu fotolog. Existem outras ferramentas interessantes nesse mundo cibernético e que vale a pena você conhecer. Viram o Twitter, aqui do lado?

2. Leia blogs sobre jornalismo online - perceba, existe uma diferença entre blog sobre jornalismo [caso desse, estamos chegando lá] e blog sobre jornalismo online. Pesquise o blogroll dos seus blogs favoritos, você pode acabar achando muita coisa interessante por lá.

3. Comece um blog - Já tentou? Os blogs estão aí há tanto tempo, você pretende estudar jornalismo, portanto é uma boa maneira de começar a escrever. Escolha um tema, ou tenha uma variedade de temas, mas escreva ao menos uma vez por dia. Isso vai ajudar você a melhorar cada vez mais a forma como você se expressa na escrita. Tome cuidado nas suas opiniões, blogs são legados digitais. Você fala mal da RedeTV!, por exemplo, mas não esqueça que um dia você pode trabalhar para eles. Questão de ética? Sim, não, talvez, sei lá. Mas tome cuidado.

4. Aprenda a contar histórias de mais de uma maneira - O jornalismo consiste basicamente em contar história. E história você pode contar escrevendo, você pode contar falando, você pode contar através de vídeo, através de música. Abuse e use dos recursos que a tecnologia oferece hoje em dia. E não fique esperando que alguém lhe ensine a usá-los: pesquise você e aprenda. A vida deixou de ser um colégio. Pense nisso!

5. Sites importantes - Greg Linch indica o tal de LinkedIn, que pelo que eu entendi seria um Orkut para ser levado a sério, ou seja, contatos profissionais. Aqui no Brasil temos isso também, é o Via6, pode não ser engraçadinho e colorido como o Orkut, mas se você procura contatos profissionais, é uma boa. O estudante indicou também o Poynter Online. Esse também foi um pouco difícil de entender [preciso melhorar meu inglês. olha uma dica boa aí], mas pelo visto é um portal de jornalismo onde você encontra artigos importantes com jornalistas renomados [ou nem tanto], blogues jornalísticos e podcasts e tudo mais. Poderíamos equipará-lo ao nosso Observatório da Imprensa?

6. Tem experiência? - Procure o centro de comunicação da sua faculdade, interaja, quem sabe você consegue algum trabalho por lá mesmo, ou mesmo fora da faculdade, o nosso tão famoso e conhecido estágio. Não esqueça nunca disso: nessa área que você escolheu, contato profissional é MUITO importante. Quanto antes você começar a fazer, melhor pra você no futuro.

7. Use os recursos da Universidade - Fale com os veteranos [sem medo de ser feliz, ok?]: quem são os melhores professores, os que você tem que fazer contato, quais as matérias mais relevantes desse semestre, o que devo focar agora. Lá nos EUA eles costumam ter programas em que os estudantes veteranos apresentam a universidade e os professores aos calouros. Aqui nós pichamos e humilhamos os calouros, mas quiçá isso um dia mude de vez. Enfim, conheça também os seus professores. Eles têm experiência, têm histórias boas a lhe contar sobre essa profissão, coisas que na sala de aula muitas vezes eles não podem [ou não conseguem] relatar. Contato, lembra? Quase nem é importante...

8. Networking - Sabe o que é isso? É o que a gente já tá batendo na tecla há tempos: FAÇA CONTATOS! Conheça as pessoas, você não está fazendo um curso de comunicação à toa. Pessoas conhecem pessoas que conhecem pessoas, portanto, quanto mais networking, mais chances você tem de conhecer a pessoa certa, a que vai dar um UP bonito na sua carreira.

9. Conheça o mercado - É, nesse ponto não tem jeito, vai ter que pesquisar. O mercado de trabalho pode estar difícil, porém não impossível. Saia das arraias do fulano disse isso, beltrano disse assado. Pesquise, procure saber como funciona para que você possa formar a sua opinião. Princípio legal para quem quer fazer jornalismo, PESQUISAR!

10. Desenvolva uma mente aberta, e esteja sempre preparado para mudanças - O que seria de um jornalista que não sabe lidar com mudanças? Acredite, como profissional formado em jornalismo, sua vida não vai ser eternamente ficar sentado em uma redação de jornal, ou apresentando o Jornal Nacional. O mundo gira... gire você junto com o mundo, e saiba que a função do jornalista vai muito além de uma simples reportagem. Informar para transformar.

Ufa! Se você compreende um pouco o inglês, o suficiente para ler o texto completo desse rapaz, as dicas bem desenvolvidas você encontra aqui. E eu só cheguei a essas dicas graças a outra jornalista blogueira, a Gabriela Zago, que eu encontrei aqui.

Ficou um pouco maior do que eu imaginei que ficaria, mas... espero que seja de grande valia para quem, como eu, ainda sonha com o jornalismo.

Toda vez que surgem casos como o da menina Eloá ou da criança Isabella na televisão, em que se passam dias e dias discutindo com 'especialistas' no assunto, em que nem adianta mudar de canal porque todos eles vão falar sobre a mesmíssima coisa, me pergunto: é realmente necessário?

As notícias serem repassadas à população no formato de notícias, aí sim, é necessário. As notícias serem repassadas no formato de novela, aí não. Todo sofrimento é noticiado passo a passo e as pessoas assistem passivamente em suas confortáveis salas de estar, como se estivessem assistindo a mais um capítulo da novela das oito que passa às nove.

Passividade, taí uma palavra que cabe no contexto.

Passivo também se torna o jornalista que, por um punhado de moedas ou de prestígio momentâneo, se presta a um desserviço como o que aconteceu no mais recente caso de sensacionalismo jornalístico. Entrevistas ao vivo com seqüestrador, com seqüestrada, com o vendedor de hot dog que estivesse ali só pra fazer uma graninha: a mídia sensacionalista não esconde nada!

[qual era a cor da blusa que a menina estava usando quando voltou ao apartamento?]

Quanto mais sofrimento, mais audiência. Quanto mais audiência, mais grana no bolso. Do povo? Certeza que não. O povo não tem tempo de pensar em grana no bolso. Precisa acompanhar a última notícia urgente, marido mantém a esposa em cárcere privado durante 8 horas. Ah sim. Inspirado no último caso noticiado pela mídia.

Notícia que gera notícia.

[o sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia]

Tem dúvidas?

A maioria das pessoas que pensam em fazer jornalismo se espelham geralmente em algum ídolo, alguém que admira muito e que esteja na grande roda da mídia. Um jornalista esportivo, um apresentador de telejornal, um repórter que faz grandes viagens internacionais. Seria a isso que se resume a carreira de um jornalista? Todos os que entram nesse curso superior, pensam realmente em sentar na bancada do Jornal Nacional e ficar 'famoso' da noite pro dia?

Segundo informações pesquisadas no site da ONG Formação Solidária, o jornalista é responsável por investigar e redigir as notícias para transmití-las através dos meios de comunicação, sejam jornal, revista, televisão, rádio ou internet. O profissional formado em jornalismo pode trabalhar em qualquer etapa da produção da notícia: investigar, redigir, resumir, organizar.

De acordo com a ONG, a carreira de jornalista é regulamentada, ou seja, para um profissional exercer a função de jornalista, é necessário que ele tenha formação acadêmica, independente da área que ele vá atuar. Se quiser saber mais sobre esses e outros aspectos da nossa carreira, clique aqui. Recomendamos também conhecer o trabalho da ONG, neste mesmo site você encontra dicas e informações sobre vestibulares e cursos universitários.

Ainda lembraremos aqui a discussão sobre a regulamentação da profissão de jornalista, em que encontramos muitos jornalistas a favor e muitos contra.

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