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Como eu disse ontem à vocês, vou tentar aqui explicar um pouco do que é a Lei da Imprensa atual, e do que as entidades ligadas à comunicação esperam dessa nova Lei da Imprensa. Todas as opiniões aqui expressadas estão baseadas em análise que eu li no Observatório do Direito à Comunicação, portal, aliás, altamente recomendável para os comunicólogos em geral.

A Lei da Imprensa, que veio lá de 1967 [anos de chumbo e pans], apesar de ter alguns artigos que, segundo a FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas], podem e devem ser mantidos, ainda apresenta um formato autoritário e antiquado para o pleno exercício do jornalismo, como a prisão de jornalistas, ou a apreensão e fechamento de redações. O que a FENAJ sustenta é que sejam revogados alguns desses artigos e mantidos os outros, até que se discuta no Congresso Nacional um novo texto, que seja democrático e coerente com os dias vividos hoje.

O objetivo da Lei não é impor limites à liberdade de expressão ou mesmo cercear alguns dos direitos da mídia com relação ao que ela publica ou deixa de publicar. A Lei vem para regulamentar um serviço que, afinal, é público. O espaço público aonde se divulgam as notícias não pode nem deve ser uma 'casa da mãe Joana', aonde todos fazem o que querem, sem se responsabilizar por nada do que é dito ou escrito. Em compensação, não dá para conviver com uma lei atrasada, cheia de artigos que já não têm mais fundamento, e que acaba por beneficiar alguns grandes grupos midiáticos, em detrimento de outros.

Muito melhor do que revogar todos os artigos e incluir no lugar uma lei que talvez ainda não tenha sido devidamente discutida na sociedade [que deveria ser a principal interessada nesse assunto], é, como apoia a FENAJ, tirar do ar alguns dos artigos mais contradizentes com a atual imprensa, e colocar essa discussão em pauta. Nas grandes mídias, nos jornais, revistas, rádios e televisão.

Porque enquanto a sociedade continuar mantida fora da discussão sobre a imprensa, qualquer palavra, que não democracia, poderá ser aplicada a qualquer que seja a Lei instituída.

Profissão Perigo

Meus quatro leitores [sim, de ontem pra hoje chegaram mais dois leitores, sejam bem-vindos!] provavelmente não irão se lembrar, mas entre os anos 1980 e 90 era transmitida no Brasil uma séria chamada Profissão: Perigo. Mais conhecida internacionalmente como MacGyver, um ex-agente secreto que escapava dos perigos sempre de forma inteligente e perspicaz. Seu nome hoje é até uma espécie de gíria, para aquelas pessoas fortes, que não "morrem" em problema nenhum e que resolvem problemas dificílimos com o menor número de ferramentas possíveis. MacGyver passava pelos perigos mais esdrúxulos e nunca morria. Ele era o Chuck Norris da televisão.

Hoje em dia, agente secreto já não é mais tão profissão perigo. Existem outras profissões muito mais perigosas, apesar da simplicidade que elas aparentam. O jornalismo é uma delas. Não é de hoje que lemos notícias sobre jornalistas mortos em coberturas de guerras, em países onde a liberdade de imprensa é reprimida violentamente. Quem diria, então, que o Brasil, que gosta tanto de conclamar a liberdade de expressão, figuraria numa lista de países onde o exercício do jornalismo é arriscado? Sim. Nosso querido país está entre os 14 países mais perigosos para os jornalistas.

Essa lista é elaborada pelo Comitê para a Proteção do Jornalista, ONG que se baseia em Nova Iorque e defende a liberdade de imprensa em todo o planeta. É a primeira vez que o Brasil figura na lista, ficando em 13º lugar. Os três primeiros da lista são Iraque, Serra Leoa e Sri Lanka, países tradicionalmente violentos por conta das várias guerras sofridas ao longo dos últimos anos.

Na última década, cinco jornalistas foram assassinados no Brasil, e os casos não foram solucionados pelas autoridades, segundo o CPJ. O caso citado no relatório é o do jornalista Luiz Carlos Barbon, que denunciou, em 2003, esquema de aliciamento de menores envolvendo vereadores no município de Porto Ferreira, em SP. O jornalista foi morto em 2007, e o caso ainda não foi completamente solucionado.

Li a notícia hoje na Folha de S. Paulo [disponível apenas para assinantes do jornal, ou do Portal UOL], e um resumo está disponível também no portal Comunique-se. Tudo o que posso dizer é que o jornalismo investigativo pode ser perigoso, sim, mas que pode ser gratificante. Afinal, toda e qualquer profissão tem seus riscos. Precisa apenas ver até onde você está disposto a ir em defesa da verdade. Ou de uma suposta verdade.

Sobre Imparcialidade

Ah... eu, como futura jornalista, acredito ter um grande defeito: não consigo ser imparcial. E é o que a gente ouve o tempo todo, né, que um jornalista tem que ser imparcial, que ele não pode tomar partido, que ele tem que apenas mostrar a notícia, se abstendo de quaisquer comentários sobre a mesma. Não pode ter a opinião própria, tem que ter a opinião do veículo para o qual ele trabalha. Complicado. Ainda mais para uma jovem com ares de rebeldia como eu. Mas é algo que, de repente, eu possa aprender um dia.

Espero que não.

Se tornar uma pessoa imparcial, que não diferencia, ou não demonstra o lado que prefere em uma discussão, ou que não opina sobre alguma sacanagem que você vê sendo feita, é deixar de ser humano. Você precisa trabalhar, pagar suas contas, e por isso você incorpora as opiniões editoriais. Compreensível. Todo mundo precisa trabalhar hoje em dia, e jornalista não é auto-sustentável. Mas tem que haver um jeito de se alinhar com o editorial e ainda assim, dormir em paz com a sua consciência.

Li a respeito hoje, no Blog do Sakamoto. Ele fala sobre a cobertura da guerra, que acaba sendo uma situação mais específica. Em uma guerra tem dois [ou três, ou quatro, ou cinco] lados. Em uma guerra, existe o bom e o mal. Você acaba tendo que tomar o partido, mas... você trabalha em um veículo de comunicação de massa. Você não toma partido, você noticia. É complicado. Você assiste cenas grotescas de desrespeito aos direitos humanos [às vezes, vindo de ambos os lados] e não pode dizer que aquilo é horrível? Você publica fotos de crianças sofrendo, sozinhas, desamparadas, machucadas... e fotos de soldado apontando fuzis para essas crianças, e não tem pode tomar partido?

Por conta de ver, sentir, pensar isso tudo, o artigo do Sakamoto realmente me fez começar a refletir novamente nisso tudo. Por isso recomendo que você, não apenas futuro jornalista, mas futuro comunicólogo e... atual cidadão, leia. E dê sua opinião.

Gaza é aqui

Muita coisa acontecendo essa semana, as férias que eram para ter começado na segunda feira foram canceladas, e por isso vocês não viram mais minha cara neste blogue. Mas tudo bem, porque vocês também não viram a cara da Sirlene nem da Karina, autoras também deste humilde blogue.

Sem mais delongas. O assunto da vez, aliás, UM dos assuntos da vez, perdido no eio de assuntos tão relevantes quanto o fim da novela ou o começo do BBB, é a guerra na Faixa de Gaza. Claro, violência sempre gerou ibope, não é de hoje. Pão e circo, essa história é antiga. Mas a história da violência em Gaza tem aquele particular que a imprensa adora discutir, que é a censura que o governo de Israel impôs. A cobertura se torna praticamente impossível, e é claro, jornalistas engajados [ou muito bem remunerados] ainda arriscam suas próprias vidas para tentar trazer um mínimo de informação [ou o máximo que conseguem] para o outro lado do mundo.

Mas... e sempre tem um mas... a guerra não está assim tão longe. Está logo aqui do lado.

Cobrir o estado de sítio que a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, vive, também não é nada fácil. Poucos se arriscam. Os que se arriscam, correm o risco de acabar virando a notícia, como foi o caso do Tim Lopes. Falar a respeito da violência nos interiores do país, onde fazendeiros-coronéis são verdadeiros ditadores locais, que dizem o que a população pode ou não fazer, também não é fácil. Talvez porque não seja do interesse das pessoas. Talvez porque não seja do interesse dos grandes grupos de comunicação. Talvez porque cada guerra tenha um interesse guardado, e essas guerras interiores que vivemos no Brasil não tenha interesse para ninguém mesmo.

Pensei nisso ao ler este texto no blog do Noblat. Pensei nisso ao ver a violência diária à qual somos expostoso o tempo todo, e fazemos como se não fosse conosco. Pensei nisso ao ver o quanto essa história toda de guerra me cansa, como se fosse apenas mais um capítulo da novela. Não é, é a vida de verdade, acontecendo, pessoas morrendo porque seus respectivos governos não ligam para elas, ligam para o lucro. É isso. Guerra é por lucro. Sempre alguém sai lucrando. E isso é o triste.

Até quem comunica a guerra sai lucrando. E acho isso mais triste ainda.

Leia o texto recomendado de hoje. Vale a pena.

Antes do tempo, como sempre. Não consegui ficar parada, sem ler nem escrever nada nestes dias de festa, até mesmo porque, como não viajei, o que eu mais fiz foi mesmo escrever e ler.

E ler coisas como essa, como diria Simão, no país da piada pronta. É inacreditável o poder da justiça em nosso estimadíssimo país. Independente de ser o caso do jornalista Tim Lopes ou não, o que vem ao caso é que eles são comprovadamente assassinos. Agora eles se comportaram bem na cadeia [vá saber o que esse povo da justiça considera "bom comportamento". Para a minha pobre mente ignorante, MATAR não é, nem de longe, bom comportamento], então eles terão direito ao regime semi-aberto.

Dá dois dias pra eles. Quem quer bater uma aposta comigo que pra cadeia eles não voltam?

Tem um ditado muito inteligente que diz que Deus não dá asa a cobra. Mas a justiça brasileira, sim. Isso é apenas um exemplo para quantos bandidos quiserem matar jornalistas, por exercerem um trabalho de investigação e informação ao público: não se meta na área do crime, senão vai sobrar chumbo pra você. Dá pra você trabalhar tranquilo [o trema morreu na passagem do ano, ainda estou me habituando], sabendo que, se o seu trabalho mexer com os brios de alguém da alta criminalidade, você vai morrer, e o cara ainda pode ser libertado alguns anos depois por "bom comportamento"?

Devemos cobrar um pouco mais da justiça desse país. Devemos nós, que fazemos parte da mídia, divulgar e fazer com que as pessoas abram suas mentes e vejam, esses cidadãos [cidadãos?] ainda não estão prontos para voltar ao convívio da sociedade. Se é que algum dia estarão. Então eles merecem a liberdade, ainda que semi-liberdade, que um dia eles negaram ao jornalista?

É claro que, na minha grande utopia, o crime nem deveria existir. Aí entram aquela galera dos direitos humanos, que dizem que as cadeias estão super lotadas, e que quem se comporta bem tem que ter uma segunda chance e tudo mais.

Quem vai dar a segunda chance ao Tim? Ou a tantas outras pessoas que morrem nas mãos impiedosas dos donos do morro? Quem vai dar uma segunda chance para que o crime não mais exista no Brasil?

Já sei, grande utopia, Ana P. Não custa nada sonhar. Não custa nada tentar, mesmo que de uma forma tão pequenina e inocente como um simples blog estudantil, fazer com que algumas pessoas reflitam. E compartilhem.

Começo de ano, o blog está aberto a sugestões. Logo teremos novas enquetes, para tornar esse aqui um espaço mais interativo. E novidades, muitas, já que, a partir de 12 de janeiro, estarei de férias do trabalho oficial [aquele que me paga para que eu possa pagar pela internet que faz com que eu tenho acesso a vocês], mas com o pique total por aqui!

Feliz Ano Velho pra gente. Começamos bem...

Nos dias de hoje,em que temos a chamada "liberdade de imprensa",alguns fatos pavorosos,muito me chamam a atenção.Como a proibição feita pelo presidente venezuelano,Hugo Chávez;a que quaisquer mídia de seu país,divulgasse os resultados eleitorais,antes do boletim oficial.
Pode ser,que quando nos pegamos a indagar a tal ação,muitos de nós,imaginamos,todo esse furor,acontecendo a milhas e milhas de distância.O que não é fato,pois a Venezuela se trata de um país vizinho nosso,inclusive parte integrante do Mercosul,encontra-se sob o regime presidencial de Chávez, governando a custo de uma política ditatorial;cegando por muitas vezes a população venezuelana,e fazendo os ter como um líder supremo,e concordando passivamente com suas ações.Apesar de receber duras críticas externas e de sua própria nação,o presidente,recebe como dito antes,muitos votos de aprovação a sua presidência.Devido ao forte apelo popular.
Num mundo,onde existem várias teorias de conspiração,e que a ingenuidade e ignorância da grande massa é usada para manipular a si mesma.Se torna cada vez mais difícil de enxergar os ocorridos com clareza e perfeita definição.
Necessitamos,urgente de uma reforma universal,em todos os aspectos da sociedade,para que possamos enxergar com clareza o que nos é posto diante dos olhos.
Sim,a mudança se faz necessária e possível,através de cada pequeno gesto,incentivo e conscientização.Pois pelo menos uma coisa,eu posso afirmar,podem nos levar a liberdade de se expressar,mas o conhecimento e o desejo de melhorar,isso ninguém nunca poderá nos tirar.

Acabei de ler uma notícia no Observatório da Imprensa [site já amplamente recomendado por esta que vos digita para todos que pretendem, ou sonham, ou imaginam seguir a carreira de jornalismo: vale a pena conferir] que, inicialmente, me chocou, depois me revoltou e por fim, me inspirou a escrever este post*.

A notícia: mais de 150 jornalistas no Sudão fizeram greve de fome nesta terça-feira, dia 04/11, protestando contra a censura prévia que o governo faz às escondidas. A constituição do Sudão garante a liberdade de imprensa, porém, nós brasileiros também sabemos muito bem como funciona essas coisas da Constituição: estar lá não garante que será cumprido.

Aí você pensa: Sudão? Onde fica o Sudão? Sudão é longe! Tem nada a ver com a gente. Mas é justamente nisso que você se engana. O Sudão está bem longe da gente, sim, mas a história da imprensa e a luta pela sua liberdade não estão tão distantes de nós. Não faz trinta anos e nós aqui no Brasil também lutávamos por uma imprensa livre. E a lut pela liberdade da imprensa não deve ser empreendida apenas por um ou outro jornalista, ou por um ou outro país. É uma luta que deve ser de todos.

Por que mesmo precisamos de uma imprensa livre das amarras do governo? Oras! Porque sem essas amarras a coisa já anda bem complicada, imagina tendo jornais, revistas, televisões e rádios apenas mostrando o lado bom da coisa? Apenas criando uma fantasia? Não seriam jornais e revistas e rádios e televisões, seriam clássicos de literatura, onde na maioria das vezes o bem prevalece. Precisamos de uma imprensa livre porque somos livres e temos o direito de ter variadas fontes de informação, com variadas opiniões.

[Talvez eu esteja falando um pouco do jornalismo utópico. Sonhar é preciso, viver não é preciso.]

Mas eu admiro esses jornalistas sudaneses que fizeram greve de fome para defender uma ideologia. Admiro porque eu mesma não sei até onde seria capaz de ir para defender minha profissão, meus ideais, aquilo no que acredito. Até onde você seria capaz de ir?

* um blog jornalístico ficar tantos dias sem atualização é uma heresia. Pedimos perdão aos leitores. Tentaremos não repetir essa desfeita!

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