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Na minha atual condição, e mesmo antes de eu resolver entrar nesse submundo do jornalismo, sempre tive muita curiosidade de saber quem decide o que vai ser manchete nos grandes jornais. De fato, não gostaria de saber apenas quem define as grandes manchetes, mas O QUE é considerado prioridade, o que faz com que o editor responsável aponte seu dedo magnânimo e diga: essa notícia VAI VIRAR manchete.

Bom, a manchete é o que vai chamar a atenção do leitor para determinado jornal. Jornais populares, vendidos a baixos preços para chamar mesmo um leitor de classe C e D, por exemplo, usa manchetes mais populares, por assim dizer. Vai falar sobre aumento de salário [que é o que interessa ao povão], vai falar sobre tragédias, vai falar sobre algum novo programa de ajuda do governo, sobre o aumento ou a diminuição do desemprego, sempre numa linguagem simples, menos rebuscada.

Daí você pega um jornal grande, como a Folha de S. Paulo, que é voltado ao leitor de classe A e B. Logo, esse jornal vai atender aos interesses dessa classe. Sem fazer juízo de valor, mas é só juntar as peças. Jornal é um produto, como um produto ele deve interessar a alguém. Certo?

Como se forma a opinião do leitor, foi o que vimos na escolha da manchete de hoje da Folha. Quem acessou os grandes portais, ou ouviu rádio, ou estava presente neste país anteontem, viu que saiu o resultado de mais uma pesquisa de opinião sobre o governo Lula. Resultado da pesquisa: impressionantes 84% dos entrevistados avaliam o desempenho de nosso presidente como positiva, a despeito de toda a crise econômica e a onda de desempregos. E tem mais: 72,5% dos entrevistados consideram o governo em geral como bom ou ótimo.

É impressionante, não é? Em um momento em que o mundo atravessa uma crise, as pessoas perdem seus empregos aos milhares, e, para o Brasil, um detalhe muito importante: essa pesquisa se deu um mês depois do governo ter anunciado que perto de 655 mil vagas de empregos foram fechadas. E ainda assim as pessoas avaliaram o governo e o nosso presidente de forma positiva. Você não se espanta? Eu me espanto.

Aí, isso deveria ser manchete? Talvez. Depende se você dirige um jornal governista, depende da ênfase que você pretende dar a esta crise econômica. Depende, principalmente, do tipo de leitor que você tem e de qual notícia você prefere que ele preste mais atenção. Porque a manchete da Folha de S. Paulo de 04/02/2009 trazia justamente o contrário desse positivismo todo: "Indústria tem maior queda desde 91".

Opa, cadê o positivismo? Cadê o oba-oba dessa nova pesquisa? Se a indústria não produz, não gera emprego. Ou seja, mais e mais pessoas serão demitidas. E por que a população de um país onde sua indústria sofre uma queda como não se via há 17 anos, ainda avalia seu governo como bom ou ótimo?

Acho que foi essa a idéia que passou pela cabeça do editor da Folha, até mesmo porque, o editorial do mesmo dia trouxe esse mesmo assunto. E viu ali na imagem, o destaque que foi dado à popularidade do presidente Lula? Viu ali o detalhe forte "apesar da crise"?

Novamente, lembro a vocês: sem fazer juízo de valor. Eu leio a Folha todos os dias, porque eu ainda confio na credibilidade de seus jornalistas. Se eu concordo ou não com a linha editorial deles, é outra história. Mas é algo a se pensar, e se analisar, como são escolhidas essas manchetes, como a nossa opinião e a nossa atenção começa a ser formulada pelo jornal desde esses pequenos detalhes. Tudo conta: as fotos, a manchete, a disposição do texto, absolutamente tudo.

Você, ao ver essa manchete, ainda acredita que o positivismo de nosso presidente tem embasamento?

* O título do post foi slogan de uma das revistas que marcaram época no jornalismo brasileiro, revista Manchete, da editora Bloch. Meu presente de aniversário de mim para mim mesma será o livro Os Irmãos Karamabloch, que consta a história da família Bloch e de como eles se tornaram um império na comunicação brasileira. Depois eu digo se eu recomendo ou não. O slogan original era "Aconteceu, virou Manchete".

[o post foi escrito em 04/02/2009]

Juventude Transviada

O Ombudsman da Folha de S. Paulo hoje falou sobre um tema muito agradável aos meus, aos seus e aos nossos olhos: como atrair os jovens para o jornal. Bom. Eu me considero jovem, certo, afinal, 25 anos não é nem a metade de uma vida bem vivida. Desde que me entendo por gente, eu leio revistas e jornais. Claro que depois que eu decidi que jornalismo seria minha carreira, a leitura de um jornal diário se tornou praticamente [eu disse PRATICAMENTE] obrigatória, e como eu não estava tendo mais tempo de entrar na internet para ler as notícias, resolvi assinar um jornal. Confesso que tem dias que, da mesma forma como ele é jogado no meu portão, assim permanece até o dia seguinte, quando a culpa me consome e eu resolvo pegar o jornal do dia e devorá-lo. Bom, as notícias que me interessam, pelo menos.

De qualquer forma, eu fui atraída para o jornal não apenas pela minha profissão. Mas também porque sempre achei importante ler, sempre achei importante saber O MÍNIMO do que acontece no mundo, e considerando que nunca fui grande fã do telejornal, prefiro realmente abrir o jornal e ficar uma meia hora ruminando notícias, do que ficar sentada na frente da tevê olhando pra cara do William Bonner. Bom... se tivesse no mudo, ainda vá, mas isso não é assunto para este blogue.

Agora, quando eu li o que o ombudsman da Folha diz, sobre atrair os jovens para o jornal, é algo que eu efetivamente não sei dizer para ninguém como fazer. Percebam vocês o tipo de jovens que temos no mundo hoje em dia: os que têm acesso à internet, vão procurar notícias [ha, ha, ha] na internet. Os que tem a televisão, bom, vão assistir televisão, e provavelmente, assim como eu, não vão querer assistir telejornal, e sim, Caminho das Índias, ou BBB. Fora que, percebam, jornal está caro. Tá, eu assino a Folha, e sei que tá caro. Mesmo para assinante, que ainda pega com desconto, comparando com o preço de banca. Ainda que existam jornais mais baratos.

Eu acredito, numa opinião pessoalmente pessoal e totalmente minha, que o jovem não lê jornal por um motivo absolutamente simples, e que aí isenta o jornal de qualquer culpa: ele não gosta de ler. Simples assim. Como é que você quer chamar a atenção de alguém que, a priori, já não gosta do seu produto? Antes de se perguntar como fazer para atrair mais jovens, o jornal deveria pensar: como posso fazer para que os jovens apreciem mais a leitura? E aí sim, entrar com programas de leitura em escolas públicas é uma idéia, criar suplementos especialmente voltados para os jovens [como é o caso do FolhaTeen], com mais conteúdos. O FolhaTeen por exemplo, é bem legal, traz sempre matérias que interessam aos jovens, mas... é muito curto. Além de sua periodicidade [uma vez por semana] deixar uma janela muito grande de falta de conteúdo para o jovem. Precisa atrair os jovens aos poucos para o jornal, mas não TÃO aos poucos.

O que eu acho que seria uma idéia legal é, dentro do suplemento o jornal ter links [exato, como se fosse internet mesmo] para outros cadernos, como o Cotidiano, ou Dinheiro, ou Esporte. Fazer o cara se interessar por algo além daquele pequeno suplemento semanal. Instigar a curiosidade, criando uma matéria que fosse ter sua continuação num caderno de domingo, como o Mais!. Enfim, uma idéia. Que talvez eu até mande pro ombudsman [isso se alguém não roubar daqui antes, né... ¬¬]

Enfim. Como vocês aí, jovens leitores, leitores, ou senhores leitores, pensam que poderíamos atrair mais jovens para o jornal?

Estava eu totalmente sem inspiração para escrever aqui [não me levem a mal, uma semana antes das férias parece que dobra a quantidade de coisas que você tem a fazer!], procurando por alguma notícia, algum artigo que me levasse a pensar e refletir e tentar achar alguma solução para os muitos problemas da comunicação, da política e cultura nacionais, quando... eis que me deparo com algo que, afinal, tem tudo a ver com este espaço!

Blogs podem ser usados com fins educativos, diz pesquisadora

Sim, poucos, mas queridos leitores deste blogue! Os blogs não só podem, COMO DEVERIAM ser usados com fins educativos, desde que sabiamente explorados pelos nossos educadores. Porque a internet tanto pode ajudar na educação dos seres humanos, como pode ser o destruidor oficial de qualquer aprendizado para o aluno. É bem uma faca de dois gumes mesmo. Este blogue, inclusive, nasceu de um trabalho acadêmico, solicitado pela professora da disciplina de Produtos Comunicacionais. Eu, que já sou macaca velha em blogue, não senti grandes dificuldades em pesquisar assuntos, escrever de uma forma mais culta [afinal, não deixava de ser um trabalho acadêmico], e peguei até gosto pela coisa, descobrindo portais e ferramentas extremamente úteis, que se não fosse por este blog, me passariam despercebidas!

De qualquer forma, eu acho que a tal da inclusão digital vai muito além de "vou fazer um orkut e adicionar 4973 amigos que eu nunca vi na vida", ou "vou criar alguma frase de efeito para colocar no meu MSN e assim todo mundo vir falar como eu sou inteligente". Ainda há aqueles que até criam blogs, mas que a produção destes fica, digamos, muito abaixo do nível necessário para se considerar o blogue uma ferramenta educacional, não há como contestar.

Quem sou eu para criticar? Já tive blog-cor-de-rosa-com-declarações-de-amor-eterno-para-o-namorado, que, convém lembrar, já não é mais sequer amigo.

Acho que essa idéia do blog como ferramenta auxiliar na educação do jovem brasileiro pode, sim, vingar. A única coisa que pega é que estamos criando uma geração de jovens que não lêem livros, não lêem jornais nem revistas, já acham trabalhoso ler qualquer panfleto educacional. Periga que o blog seja apenas uma extensão dos vários erros ortográficos e gramaticais que estamos já habituados a ver em redações de vestibulares, ENEM's e concursos públicos da vida.

Pode usar o blog? Pode. Mas antes de partir pra esse mundo digital, precisa melhorar a qualidade da educação no mundo real. Despertar no aluno o interesse [e a consciência] de ler mais para escrever melhor. Sabendo pesquisar em livros, revistas e jornais "de verdade", por assim dizer, os alunos já terão uma noção melhor de como pesquisar em sites e artigos publicados na internet.

Para que, a partir daí, eles criem seus próprios artigos. Ou, como eu faço por aqui, arremedos de artigos!

Um bom jornalista sabe que precisa escolher com cuidado suas fontes. Com o advento da internet, a velocidade dos fatos ficou muito maior, e todos querem ser os primeiros a dar a notícia, o chamado furo de reportagem. Isso dá até prêmio, sabiam?

Desde que a notícia, além de ter fundamento, seja verdadeira.

Vez por outra eu leio algo a respeito desse assunto no Observatório [quase não dá pra perceber que eu adoro os artigos deles, né?]. Essa semana saiu mais um que fala justamente sobre esse assunto, da velocidade vs. credibilidade. Afinal, qual o sentido em ser rápido, em dar uma notícia de última hora, se daqui algumas horas você terá que desmentir?

Tem jornalista que baseia suas notícias em pesquisas do Google, Orkut e blogs. Errado? Não acho. Essas redes de relacionamento ajudam você a descobrir a verdade, mas perceba a sutileza, AJUDAM. A verdade não está toda aqui. E como bem sabemos, o Orkut não é dos mais confiáveis mesmo. Blogs, qualquer estudantezinho de jornalismo [há, há, há] pode fazer um pra postar o que bem entende. Apesar de ter blogs realmente muito bons [temos uma listinha aí do lado que vale a pena conferir, além, é claro, do nosso Sado aqui também!], alguns são uma bobajada sem fim, sem querer ferir os sentimentos de ninguém.

Quanto ao Google, bom... sem nenhum preconceito, mas suas respostas geralmente apontam ou para a Wikipedia [que até tem muita coisa aproveitável, mas é sempre bom pesquisar mais] ou para o Orkut ou para algum blog. Por essas e outras que, como já dito anteriormente, é preciso conhecer outras ferramentas de busca, outras formas de pesquisar. E não esquecer que, apesar do jornalismo feito à moda antiga não condizer com a velocidade dos dias de hoje, antes ser um jornalista que possui credibilidade perante a sociedade do que aquele cara que ninguém sabe qual vai ser a próxima mentirinha.

Você, estudante de Jornalismo, está por dentro das últimas novidades com relação à sua carreira? Está sabendo pelo menos, da possível regulamentação de sua futura profissão? Está sabendo que em breve, você pode ser obrigado a ter o diploma universitário, se quiser realmente exercer a profissão? Não está sabendo? Pena. Deveria.

O portal Comunique-se divulgou essa semana o resultado de uma pesquisa feita com 2.232 pessoas cadastradas no portal [entre estudantes, professores e profissionais da área]. Talvez você se assuste, talvez ache normal, mas 73,9% desses pesquisados são a favor da obrigatoriedade do diploma universitário, sim. E digo mais: 68,4% do total de pesquisados acreditam ser necessário também a criação de um órgão como a OAB, no caso para os jornalistas.

Os dados apresentados pela pesquisa confirmam uma tendência já apresentada antes pela própria FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas], em pesquisa realizada em setembro com 2.000 pessoas. No caso da FENAJ, a pesquisa foi feita com pessoas de toda a sociedade, independente de ser do meio jornalístico ou não. O resultado foi bem parecido com o do portal Comunique-se: 74,3% se mostraram favoráveis à obrigatoriedade do diploma, e 74,8% apóiam a criação de um Conselho Federal de Jornalismo.

O Ministério do Trabalho também aponta com a possibilidade de criar um grupo de estudos para discutir a regulamentação da carreira. A discussão está ficando quente, e sim, os futuros jornalistas também precisam participar dela.

Você é a favor da obrigatoriedade do diploma? É contra? Sabe quais serão as conseqüências se o diploma deixar de ser obrigatório? Se isso será bom ou ruim para você e principalmente, para a sociedade? Sabe se é realmente necessário ter o diploma universitário?

Não vegete nesse momento na frente da tela, se preocupando com quantos amigos você tem no orkut ou quem está online no MSN. Pesquise, se informe, e opine!

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