sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Conceitos ultrapassados

De tempos em tempos o jornalismo brasileiro... bom, não vamos restringir a vergonha alheia à terras brasileiras.

De tempos em tempos, o jornalismo nos brinda com cenas inusitadas. Algumas rídiculas, outras engraçadas, a maioria que nos deixa com aquele velho sentimento de vergonha alheia. E pra quem como eu está engatinhando nos traços do jornalismo, essas cenas ficam como dicas de "coisas-que-eu-não-quero-fazer-quando-crescer". Esta semana, repórteres da GloboNews e da Record nos presentearam com uma dessas cenas inesquecíveis.

Caso você tenha acordado essa semana, soube que na terça-feira, após dez anos de um apagão que paralisou o sudeste brasileiro, mais uma vez nossas autoridades nos deixaram no escuro. Dessa vez o impacto foi maior e mais longo, e as desculpas ainda não apareceram. Pelo menos não desculpas convincentes. Enquanto não nos derem desculpas convincentes, acredito que os jornalistas não devem dar descanso às autoridades. Por isso, pessoas como o secretário-executivo do ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, têm sido procurados constantemente para tentar dar alguma explicação plausível ao ocorrido.

Na quarta-feira pela manhã, repórteres de vários locais do país se preparavam para entrevistar o secretário-executivo em Brasília. Mas o que mais chamou a atenção neste dia não foi a entrevista do secretário e suas parcas desculpas sobre o episódio apagão. O que virou notícia foi a triste atuação das repórteres Venina Nunes [Record] e Camila Bomfim [GloboNews], que praticamente duelaram ao vivo para todo o Brasil. Tudo por uma entrevista exclusiva com o secretário-executivo Zimmerman.



Daqui podemos tirar lições simples, como a boa educação, a ética, o controle emocional, o saber ouvir e, principalmente, o saber a hora certa de discutir determinado assunto. Tudo coisas que a gente aprende fora da faculdade de jornalismo.

Mas caso você tenha passado longe dessas aulinhas em casa, quatro anos de estudo podem te ajudar a aprimorar esses conceitos. Aprimorar, veja bem, não aprender e incorporar. Porque alguém que não teve ética e educação durante toda a sua vida, não aprenderá esses conceitos em quatro anos de faculdade.

Claro, vale lembrar, estudantes de jornalismo do meu Brasil varonil: não fiquem por demais alarmados. Afinal, estamos pra conseguir a obrigatoriedade do diploma de novo. E com certeza, cenas vergonhosas como essa não serão mais rotina no jornalismo brasileiro. Ah... tinha esquecido: elas têm diploma de jornalismo.

Lamentável.

2 comentários:

Cai no blog por acaso. Mas o pouco que já li, já estou gostando.
Faço faculdade de jornalismo e imagino como essa reporter não se sentiu.
Concordo com a falta de ética, mas imagino que deve ter tido alguma pressão nela. Primeiro o apresentando mandando mesmo que ela fosse lá... essa briga de Record e Globo anda cada dia mais engraçado.. Acompanho desde o inicio.
Tenho dó da reporter, mas ao mesmo tempo não. Mas com vergonha eu fiquei!
já estou acompanhando o blog! muito bom!
beijos
byy

15 de novembro de 2009 22:48  

Pois é, não tem diploma q resolva aquilo ali...
p.s.: moderação de comentários? isso é triste...

2 de dezembro de 2009 05:16  

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