Cobertura Jornalística

Toda vez que surgem casos como o da menina Eloá ou da criança Isabella na televisão, em que se passam dias e dias discutindo com 'especialistas' no assunto, em que nem adianta mudar de canal porque todos eles vão falar sobre a mesmíssima coisa, me pergunto: é realmente necessário?

As notícias serem repassadas à população no formato de notícias, aí sim, é necessário. As notícias serem repassadas no formato de novela, aí não. Todo sofrimento é noticiado passo a passo e as pessoas assistem passivamente em suas confortáveis salas de estar, como se estivessem assistindo a mais um capítulo da novela das oito que passa às nove.

Passividade, taí uma palavra que cabe no contexto.

Passivo também se torna o jornalista que, por um punhado de moedas ou de prestígio momentâneo, se presta a um desserviço como o que aconteceu no mais recente caso de sensacionalismo jornalístico. Entrevistas ao vivo com seqüestrador, com seqüestrada, com o vendedor de hot dog que estivesse ali só pra fazer uma graninha: a mídia sensacionalista não esconde nada!

[qual era a cor da blusa que a menina estava usando quando voltou ao apartamento?]

Quanto mais sofrimento, mais audiência. Quanto mais audiência, mais grana no bolso. Do povo? Certeza que não. O povo não tem tempo de pensar em grana no bolso. Precisa acompanhar a última notícia urgente, marido mantém a esposa em cárcere privado durante 8 horas. Ah sim. Inspirado no último caso noticiado pela mídia.

Notícia que gera notícia.

[o sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia]

1 comentários:

Por isso eu não vejo tv.

20 de outubro de 2008 21:58  

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